Hammond B3

O som clássico gerado pelos tone wheels do órgão do Hammond e sua respectiva caixa acústica com alto falantes giratórios (leslie), é reconhecido na música popular produzida no mundo todo, do jazz ao reggae, do rock ao pop, embora originalmente fosse criado para ser vendido para igrejas como uma alternativa de baixo custo ao órgão de tubos.

 

Note-se que embora o primeiro órgão Hammond (Model A) tenha aparecido em 1934, o instrumento que todos associam como familiar do famoso 'Hammond Sound' é o modelo B3, lançado somente vinte anos depois.

O órgão Hammond é, pois, um instrumento eletromecânico desenvolvido  e construído por Laurens Hammond.  São muitas e variadas as tentativas de emular o som do B3 ao longo dos anos - tanto em teclados de hardware quanto em instrumentos virtuais -, mas não é exagero dizer que o desafio ainda permanece, embora alguns fabricantes tenham chegado notavelmente perto , particularmente nos últimos anos, praticamente desde o final

de década de 1980, quando além do Grupo Suzuki que adquiriu os direitos corporativos da empresa Hammond original e também da Leslie, outras empresas como a Clavia Digital Musical Instruments , a Roland Corporation e a Korg inc se dedicaram à tarefa. 

 

O órgão Hammond é um instrumento eletromecânico com uma natureza original, mas com captação puramente analógica. Possui um conjunto de "rodas fônicas" (tone wheels), que são discos dentados que giram a grande velocidade. Neste processo, os discos produzem uma variação de campo magnético, que é então captada por sensores eletromagnéticos. Posteriormente, esses sinais elétricos obtidos são convertidos em sons. A programação de diferentes timbres no instrumento é feita por registros deslizantes (drawbars): uma genial e prática maneira que garante a reprodutibilidade rápida de resultados. Um outro efeito interessante é o vibrato chorus: uma modificação simultânea de amplitude e frequência nos sons, produzida por alto-falantes com elementos giratórios especiais, conhecidos como as referidas caixas leslie.

No caso do Brasil existe uma curiosidade. As rodas fônicas de um Hammond têm que girar a uma velocidade rigorosamente constante. Para tal são acionadas por um motor síncrono, que tem sua estabilidade garantida pela frequência da alimentação da rede elétrica. Antes de 1965, a rede elétrica no Rio de Janeiro era de 50 Hz. A fábrica Hammond aceitava encomendas de órgãos para esta frequência e vários modelos assim configurados vieram para o Rio. Com a mudança da rede elétrica para 60 Hz, a partir de 1965, os Hammond cariocas desafinaram. Foi então um desafio para os eletrônicos da época construirem um aparelho que foi denominado "ciclador", cuja função era a de converter a rede de 60 Hz em 50 Hz e então acionar corretamente o motor síncrono do instrumento. Assim, os órgãos no Rio de Janeiro voltaram a estar afinados.

CARACTE

RÍSTICAS

LANÇAMENTO
1955
TECLAS
61
TONE WHEELS
91
MASSA
200kg

Vários modelos de órgão foram produzidos, alguns projetados para uso doméstico, outros para uso em igrejas, bem como para utilização em shows e gravações em estúdio. No entanto, o modelo mais popular e ainda hoje em uso é, de fato, o Hammond B-3.

 

O órgão possui dois teclados de 61 notas (manuais), às vezes chamados de swell (em cima) e great (em baixo), e efeitos especiais integrados, como "percussão", chorus e vibrato, além ataques e decaimentos ajustáveis.  Conta também com 9 teclas predefinidas (preset keys) para ambos os manuais (as teclas inversamente brancas e pretas na oitava inferior de cada manual), dois conjuntos de drawbars com ajustes de nove posições para cada manual, e um conjunto completo de duas oitavas de pedais, além de um pedal de volume (pedal de expressão) embutido na base. 

O charme é o corpo sólido de madeira (nogueira) com 4 pernas torneadas e base, um banco embutido. O conjunto todo tem a massa (peso) de mais de 200 quilos. Haja roadie! O acessório mais característico do conjunto é sem dúvida a caixa acústica leslie, que era produzida em vários modelos e tamanhos, e geralmente tinha cerca de um metro e oitenta de altura, pesando quase tanto quanto o órgão.

Eu tive uma leslie modelo 3300, e não se pode de fato entender o que é o som de uma sem caixa desta sem antes experimentá-la.  Toquei com ela uma só vez ao vivo, e tive a sorte de contar com a paciência do técnico de som que a microfonou corretamente após muitas tentativas, todavia, garanto que todo o tempo gasto foi depois compensado com a sonoridade que produzia, o que é perceptível claramente.

É claro que para levar um B3 para um show, provavelmente um caminhão ou van para transportá-lo seria necessário, e, sem dúvida, três a quatro roadies para carregá-lo. Então, a inevitável pergunta: somente músicos sádicos ou loucos levariam tal equipamento para um show? A verdade é que a resposta é negativa.  Quem já ouviu um bom B3 ao vivo, entenderia o esforço. Um Hammond B-3.

E QUANTO

AO FUTURO?

Destaca-se neste ramo a empresa Goff Professional, de Newington, EUA, dirigida por Al Goff, que começou as atividades em um porão, e com o tempo se expandiu para uma empresa de sucesso, comprometida com a restauração, aluguel e venda de Hammonds B3s e caixas Leslies antigos.

Não é exagero dizer que quase todos os músicos conhecidos que utilizam ou utilizaram órgão Hammond, incluindo Keith Emerson, T. Lavitz, Jimmy Smith, Joey DeFrancesco e Jimmy McGriff tiveram seu instrumento ou caixa Leslie restaurados pela Goff Professional, além de trabalhos para grupos como Hall e Oates, Allman Brothers, Phish e Grayson Hugh.

Joey DeFrancesco, aliás, famoso filho do organista John DeFrancesco, é um dos novos músicos do cenário do jazz que está ajudando a colocar o Hammond B-3 de volta aos holofotes. Atualmente, ele trabalha com John McLaughlin. Além disso, Larry Goldings é um novato em cena que já trabalhou com Maceo Parker, Jim Hall e John Scofield. Muitos dos antigos hammondeiros de jazz também, como o saxofonista Lou Donaldson, estão retornando ao som antigo clássico do trio de órgãos de jazz (órgão, guitarra, bateria) como uma seção rítmica.


A cena não se limita ao jazz.  Vá a qualquer show de rock atual com grandes nomes e provavelmente verá o tecladista do grupo no palco com um gabinete B3 e Leslie

estaurados, como Black Crowes e Phish usam o B3 quase exclusivamente como seu instrumento de teclado. Pode-se ver Hammonds em shows de Bryan Adams a Eric Clapton. Basicamente, eles estão na moda de novo e estão por toda parte.

 

Mesmo hoje em dia, quando a tecnologia pode fazer coisas incríveis, algumas coisas teimosamente se recusam a ser substituídas. Será interessante ver que outros desenvolvimentos nesse campo ocorrerão nos próximos anos. 

DRAWBARS

CLÁSSICOS

BLUES

GROOVY & FUNK

JAZZ

MAX POWER

PLAY

LIST

O "Hammond Hall of Fame" de 2014 reconhece os pioneiros, inovadores e, vamos dizer assim, os músicos que adotaram o instrumentos como base para os palcos e estúdios.

 

São músicos e diversos estilos e gêneros musicais, que remontam à década de 1940 e continuam até os dias atuais. Os critérios para indução foram baseados no slogan de Hammond: "O som, a alma, a única". 

"The Sound" significa que o candidato deve ter um estilo musical imediatamente reconhecível e, assim, que se tornou influente ao longo do tempo.

 

"The Soul" significa que o candidato deve ter integrado o uso do Órgão Hammond de uma maneira única em qualquer gênero que represente.

 

"The One" significa que o candidato deve ser

observado principalmente como um organista de Hammond, em contraste com um pianista ou outro instrumentista.

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